A FAVELA VENCEU

A favela é uma flor

Que o sol quente cultiva

Uma companheira antiga

De infortúnio sertanejo

Precisa ter molejo

Em suportar o desgosto

De topar com a urtiga

Que não dá encosto

Nem sombra

Não se deixa tocar

A coceira é uma lombra

Traiçoeira e infeliz

Que nem trair, é só começar

Como o ditado diz

A experiência é horrível

O esporão adentra a pele

Basta que na folha rele

Fere de forma terrível

Favor não fazer confusão

Tem favela, tem urtiga e tem cansanção

Qualquer uma é capaz

Com o estrago que faz

De arrancar o couro do cristão

Triscou no vivente, ardeu

Uma boca de espinho que mordeu

Quem era menos bruto, tremeu

O poeta viu, descreveu

A favela venceu


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